Felipe Montoro Jens fala sobre o leilão da Ferrovia do Grão, a Ferrogrão

Há pouco mais de um ano, em outubro de 2017, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) anunciou a publicação de estudo para a realização do leilão da Ferrovia EF-170, conhecida como Ferrogrão ou Ferrovia do Grão. Quem traz mais informações sobre o estudo é Felipe Montoro Jens, especialista em Projetos de Infraestrutura.

De acordo com o documento, a ferrovia terá 1.142 km, contando diferentes estados do país, em áreas urbanas e de floresta. Inicialmente, o percurso iniciará no município de Sinop (MT) até Miritituba (PA). A empresa vencedora do leilão terá a concessão de 65 anos, cujo valor do lance mínimo é de R$ 0,01. Em contrapartida terá que construir a ferrovia, implementar toda a infraestrutura e operação dos trens.

Programa de Parceria de Investimentos (PPI)

A ferrovia faz está inclusa nos projetos do Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Seu intuito é reforçar o corredor ferroviário de exportações no país, tendo em vista que a produção dos estados do Centro-Oeste serão escoadas para os portos da região Norte e a partir daí para outros países, reporta Felipe Montoro Jens.

Estimativas apontam que o investimento inicial será de aproximadamente R$ 12,6 bilhões. Esse orçamento deverá custear:

construção da ferrovia;

terraplanagem;

superestrutura ferroviária;

drenagem;

obras de arte;

obras complementares;

compensação socioambiental;

sistemas de sinalização;

equipamentos ferroviários;

engenharia;

trens e material rodante.

A concessionária poderá explorar o transporte ferroviário, o que não inclui pessoas (inicialmente). Apesar do documento alertar sobre o risco de demanda, que será somente da empresa vencedora do leilão, estimativas são positivas, reporta Felipe Montoro Jens.

Segundo previsões do setor, assim que estiver pronta a Ferrogrão terá uma demanda total alocada de 25,0 milhões de toneladas. A partir de 2050, esse montante deve chegar a a 42,3 milhões de toneladas.

Será algo importante para região, uma vez que a EF-170 poderá escoar a produção de grãos como milho, soja, farelo de soja, entre outras matérias primas do Mato Grosso. Levantamentos setoriais apontam que poderão ser transportados 10 milhões de toneladas só do estado de Mato Grosso para os portos da Bacia Amazônica.

Também há previsões do transporte de óleo de soja, açúcar, etanol, derivados do petróleo e fertilizantes, ressalta Felipe Montoro Jens.

Após entregue, a Ferrogrão trará uma grande capacidade de transporte e competitividade para o país. Atualmente a maior parte da produção é escoada pela rodovia BR-163. De acordo com o projeto, ela terá seu tráfego reduzido, principalmente de caminhões e veículos pesados. Além disso, os custos de manutenção e conservação serão menores.

Atualmente, mais de 70% da produção do Centro-Oeste é transportada via terrestre por mais de 2 mil quilômetros para os portos de Santos/SP e de Paranaguá/PR, reporta Felipe Montoro Jens.