Moda do bem: empresa concilia lucratividade e auxílio aos necessitados, por Donata Meirelles

A produção de meias, atividade realizada pela empresa fundada por David Heath e Randy Goldberg, não era o principal objetivo na vida deles, conforme costumam alegar os dois empresários. Apesar disso, Donata Meirelles ressalta que os empreendedores passaram a ter verdadeiro encantamento pela organização que fundaram. Além do negócio ter apresentado alta lucratividade desde a sua fundação, este chama a atenção por seu caráter humanitário: para cada par de meia que é confeccionado, outro é destinado à doação.

A empresa em questão chama-se “Bombas” e é classificada como startup. A ideia de doar pares de meias surgiu a partir de uma observação por parte de Heath. No ano de 2011, o empreendedor, ao acessar seu perfil em uma rede social, leu a informação de que em abrigos para moradores de rua as meias eram as peças mais buscadas por essas pessoas.

A escolha pela confecção de meias não surgiu por acaso na vida dos empresários. Já atuantes em uma startup de outro segmento, Donata Meirelles pontua que foi justamente o anseio em ajudar os mais necessitados que norteou a opção por este tipo de produção em série. Os empreendedores sentiram vontade de criar um negócio que pudesse ser benéfico para a parcela da sociedade que possuía insuficiência de recursos financeiros.

No início das operações da Bombas, os empresários ainda continuaram por um tempo trabalhando em outra companhia. Desse modo, dedicavam a parte da noite para a realização de reuniões com o objetivo de administração da empresa então recém-criada. O diferencial das meias desenvolvidas por eles, segundo alegam os próprios fundadores da startup, passava pelo campo do conforto extremo. Para que atingissem a excelência nesse aspecto, uma extensa pesquisa sobre materiais foi realizada.

Ao perceberem que a maior parte dos tecidos costumeiramente empregados pelas indústrias têxteis não ofereciam o conforto que almejavam, os dois só sossegaram após chegarem à conclusão de que era preciso criar algo novo. A solução foi o desenvolvimento de peças compostas por lã e algodão. O design das tramas também contribuiu para que se atingisse a sensação máxima de conforto, assinala a empresária Donata Meirelles.

Assim como os tecidos, houve especial atenção para a maneira como as costuras deveriam ser executadas nessas meias, já que se buscava algo que não escorregasse dos pés. Somente dois anos mais tarde, no ano de 2013, que os empreendedores se sentiram mais seguros para deixarem em definitivo o trabalho na outra companhia. Foi nessa época que decidiram apelar para o financiamento de ordem coletiva. A campanha para a arrecadação de recursos foi muito melhor do que esperavam. A meta era arrecadar US$ 15 mil, mas o montante obtido foi de US$ 140 mil.

Assim que começou a operar, a startup oferecia apenas um modelo de meias, mas com o passar do tempo os empresários passaram a dispor de condições técnicas e financeiras para a confecção de vários tipos de modelagens. Donata Meirelles informa que a entrega das peças destinadas aos moradores de rua ocorre semanalmente por várias localidades escolhidas pelos empreendedores.