Guilherme Benchimol e o sucesso da XP Investimentos

Esta corretora inovadora inspirada em Charles Schwab está mudando a maneira como o Brasil investe.

Guilherme Benchimol tinha 24 anos quando fundou a XP com Marcelo Maisonnave em 2001. Originalmente, eles chamavam a empresa XPTO, um espaço reservado genérico, um pouco como o XYZ em inglês. “Tivemos um começo muito heróico: combater os bancos, o sistema, ser cremoso por todos”, diz Guilherme Benchimol em entrevista nos novos escritórios da XP, centro financeiro de São Paulo. “No primeiro ano, pensei que iríamos quebrar todos os dias.”

Como consultores financeiros independentes, Guilherme Benchimol e Maisonnave perceberam que os investidores de varejo tinham acesso a muito pouca informação sobre ações. Então o XP começou a realizar seminários. “Alugamos um lugar, compramos alguns computadores usados, sucos, sanduíches – e esse foi o nosso evento”, diz Guilherme Benchimol.

Depois de um ano, ele teve que vender seu carro e pedir emprestado 5.000 reais a seu meio-irmão, Julio Capua, para manter as coisas funcionando. O número de clientes começou a aumentar, no entanto, e o XP se expandiu para 30 escritórios em todo o Brasil. A empresa enfrentou uma onda de crescimento econômico e um boom de mercado, com o Ibovespa, o benchmark do Brasil quase dobrando apenas em 2003 e alcançando um ganho total de 467% nos cinco anos até 2007. A XP comprou uma corretora, cresceu para 12.000 clientes e estava gerando 2 milhões de reais por mês em receita.

Então veio a crise financeira de 2008. O Ibovespa perdeu mais de 41% de seu valor em um ano. De repente, a corretagem de ações foi a pior empresa do mundo, diz Guilherme Benchimol. “Nenhuma nova conta foi aberta, todo mundo começou a vender e perdemos clientes, um após o outro”, diz ele. Com pouco a ser feito, Guilherme Benchimol decidiu respirar. Seu plano era viajar e analisar o que as corretoras na Europa e nos EUA estavam fazendo para enfrentar a crise. Foi quando Guilherme Benchimol participou de um evento de Charles Schwab em San Francisco. “Fiquei muito inspirado”, diz ele. “Decidimos seguir o modelo, indo além das ações e tornando-se a primeira real loja de investimentos no Brasil, oferecendo desde fundos a títulos de várias empresas, bancos e empresas de gestão de ativos.”